“Os jovens do Reino devem comer carne e beber vinho para se apresentarem em perfeita forma física!”
Essa foi a ordem do rei da Babilônia, Nabucodonosor, por volta de 500 a.C.
Mas alguns jovens, mais inclinados à dieta vegetariana e muito ousados, insistiram com o rei que, se comessem apenas legumes e vegetais, pareceriam mais saudáveis do que os carnívoros da corte.
Em vez de punir os rebeldes, o rei, que era um engenhoso líder militar de curiosidade aguçada, um pouco maluco e outras peculiaridades, decidiu testar a ideia e ordenou o primeiro ensaio clínico da história:
Por 10 dias os rebeldes seriam alimentados apenas com legumes, vegetais e água, enquanto os demais jovens do reino comeriam apenas carne e beberiam vinho.
O resultado?
Os jovens comedores de legumes realmente aparentavam estar mais bem nutridos e mais fortes do que os jovens carnívoros.
Convencido, o rei permitiu que eles seguissem a sua dieta.
Mesmo que esse teste esteja longe do rigor do que chamamos hoje de estudo clínico, ele pode ser considerado o primeiro experimento documentado que se assemelha a um estudo clínico e está descrito na Bíblia, no livro de Daniel, capítulo 1. Provavelmente, foi uma das primeiras vezes na história da humanidade em que um experimento guiou uma decisão sobre saúde pública.
Hoje, os estudos precisam provar serem estatisticamente confiáveis e, para isso, há um número mínimo de participantes que confere força aos resultados com base em cálculos matemáticos. Outro ponto importante é a seleção das pessoas que participam de um estudo, pois elas não podem ter condições prévias de saúde que influenciem nos resultados e, por isso, há critérios para a inclusão e exclusão de pessoas em um estudo.
Além disso, os participantes são geralmente randomizados, ou seja, por sorteio aleatório, os jovens seriam escolhidos para estar no grupo dos comedores de carne ou no grupo dos herbívoros. Em muitos casos, nem os pesquisadores sabem quem está em qual grupo, é o caso dos estudos chamados de duplo-cego. Já no experimento de Nabucodonosor, tudo era aberto, porque todos sabiam o que cada um comia quando julgou a aparência física dos jovens, sem nenhum rigor científico.
Vale lembrar também que os jovens que desafiaram o rei da Babilônia foram o profeta Daniel e seus amigos. Daniel, de acordo com a Bíblia, era um jovem nobre judeu de Jerusalém que foi levado cativo para o palácio de Nabucodonosor quando uma parte dos judeus foi exilada na Babilônia. Estes jovens judeus fizeram o grupo dos herbívoros, enquanto os jovens da corte da Babilônia fizeram o grupo dos carnívoros, o que pode trazer viés da própria cultura e costumes alimentares que esses jovens já possuíam antes do estudo do rei, podendo influenciar no resultado.
Com todas as diferenças que vemos desse experimento com os estudos avançados que fazemos hoje, é incrível pensar que, há cerca de 2.500 anos, em meio ao esplendor da Babilônia, um desafio alimentar entre jovens e um rei curioso foi registrado no Antigo Testamento e entrou para a história como o primeiro passo de algo que hoje chamamos de pesquisa clínica.
Fonte: Bhatt A. Evolution of clinical research: a history before and beyond james lind. Perspect Clin Res. 2010 Jan;1(1):6-10. https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3149409/pdf/PCR-1-6.pdf
Respostas de 2
Ao ler me despertou que fé firme, coragem criativa e escolhas simples podem mudar destinos. É um chamado para sermos íntegros mesmo em ambientes hostis, confiando que Deus honra a obediência e transforma nossa vida em exemplo.
Nossa…. Nunca considerei a ordem de Nabucodonosor um experimento científico.
Não importa o quanto a ciência tente provar ou refutar a existência de Deus, sempre veremos como Ele permite que a ciência acabe usando Sua própria palavra como base para inovação e desenvolvimento em qualquer campo.