Obras Maiores

O Caminho é um só. Os meios pelos quais o cuidado e a restauração chegam até nós podem ser muitos.
28 de setembro de 20256 min de leitura

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Nem sempre os fins justificam os meios. Mas, muitas vezes, meios diferentes podem conduzir a um mesmo fim.

Pense, por exemplo, em um dia muito quente. Você está se movimentando e seu corpo precisa manter a temperatura dentro de uma faixa adequada. 

Para isso, vários caminhos são possíveis: você pode procurar um ambiente mais fresco, diminuir a atividade física, beber algo gelado ou simplesmente suar mais e aumentar a perda de calor evaporação.

Esse é um exemplo do conceito chamado Equifinalidade, que influenciou ideias da biologia, psicologia e organizações de trabalho, e diz:

Caminhos diferentes.

Um mesmo objetivo: preservar o equilíbrio do organismo. 

Um pouco de ciência

Existe um conceito chamado equifinalidade, usado para pensar sistemas em que um mesmo estado final pode ser alcançado a partir de condições iniciais ou trajetórias diferentes. Em outras palavras: Diferentes caminhos podem conduzir a um mesmo resultado. Na biologia, isso aparece quando um organismo utiliza mecanismos diferentes para conservar seu equilíbrio. A ideia também influenciou áreas como psicologia, teoria de sistemas e estudos organizacionais.

o caminho não é o método

Jesus disse:

Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.”

Repare, Jesus nunca disse que os métodos que ele utilizou eram o caminho.

Ele disse:

EU SOU.

Com facilidade, transformamos métodos em absolutos.

Nos apegamos à forma pela qual algo aconteceu e começamos a acreditar que Deus precisa repetir aquela mesma forma para continuar agindo.

Jesus tocou.
Jesus falou.
Jesus colocou lodo nos olhos de um homem.
Jesus ordenou que outro se levantasse.
Jesus multiplicou pães.

Mas os métodos nunca foram Jesus.

Jesus é O caminho.

Às vezes nos apegamos tanto aos métodos pelos quais Ele agiu que corremos o risco de confundir o método com o próprio Caminho.

E então classificamos ciência e fé como se fossem rotas concorrentes para compreender e cuidar da vida, quando talvez possamos fazer outra pergunta:

E se O Caminho continuar se manifestando por meios que nunca existiram há dois mil anos?

E SE AS OBRAS CONTINUAREM?

Quando leio os relatos de cura nos Evangelhos e olho para algumas possibilidades que existem hoje, fico imaginando quantos caminhos se abriram diante de nós.

Onde antes havia limites aparentemente intransponíveis, hoje existem caminhos que outras gerações sequer poderiam imaginar.

Hoje, muitos cegos veem

No Evangelho de João, Jesus encontra um homem cego de nascença e usa lodo antes de enviá-lo para se lavar no tanque de Siloé.

Hoje, uma pessoa com deficiência visual pode encontrar outros caminhos.

Transplantes de córnea, cirurgia de catarata, tratamentos específicos para doenças da retina, terapias genéticas em determinadas condições e tecnologias com óculos de realidade aumentada podem devolver visão, preservar aquilo que resta dela ou ampliar significativamente a autonomia.

Só no Brasil, foram 17 mil transplantes de córnea em 2024.

Não há lodo.

Não há tanque de Siloé.

Mas há mãos, conhecimento, pesquisa, microscópios, salas cirúrgicas e anos de estudo.

Hoje, muitos surdos ouvem

Em Marcos 7, Jesus toca um homem surdo e diz:

Efatá — abra-se.

Hoje, aparelhos auditivos digitais ampliam sons para milhões de pessoas.

Implantes cocleares podem permitir acesso ao som mesmo em situações nas quais estruturas importantes da audição não funcionam adequadamente.

Cirurgias e outras tecnologias também podem restaurar ou melhorar a audição em determinadas condições.

Talvez o Efatá chegue através de um dispositivo eletrônico colocado atrás da orelha.

Talvez através de um implante.

Talvez pelas mãos de um cirurgião.

Há muitos meios.
Mas ainda há ouvidos se abrindo para o mundo.

Hoje, muitas hemorragias são tratadas

Nos Evangelhos, uma mulher que sofria havia anos com uma hemorragia toca as vestes de Jesus na esperança de ser curada.

Hoje, muitas mulheres que convivem com sangramentos anormais encontram tratamento através de medicamentos, terapias hormonais, cirurgias para condições como miomas e endometriose, reposição de ferro e, quando necessário, transfusões.

Não é apenas uma mulher atravessando uma multidão.

São muitas.

Em consultórios.
Hospitais.
Centros cirúrgicos.

E o sangramento pode finalmente parar.

Hoje, a hanseníase tem cura

Lucas conta que dez homens com lepra clamaram pela misericórdia de Jesus.

Naquela sociedade, a doença não significava apenas sofrimento físico.

Significava também exclusão.

Hoje sabemos que a hanseníase tem tratamento curativo com uma combinação de medicamentos, e o diagnóstico precoce ajuda a prevenir incapacidades e a interromper a transmissão.

Cerca de 180.000 pessoas por ano serão diagnosticadas com hanseníase e cerca de 70% deverão encontrar a cura completa através de tratamentos com antibióticos e não serão mais excluídos porque os programas de saúde pública reduziram drasticamente casos e exclusão social. 

Hoje, algumas pessoas voltam a caminhar e outras encontram novas formas de mobilidade

O homem junto ao tanque de Betesda esperou por trinta e oito anos.

Quando Jesus o encontra, ordena:

“Levanta-te, toma o teu leito e anda.”

Hoje, diferentes tipos de lesões e doenças que comprometem os movimentos podem ser tratados por meio de cirurgias ortopédicas ou neurológicas, fisioterapia intensiva, reabilitação, neuroestimulação e tecnologias assistivas.

Em determinados casos, equipamentos robóticos e exoesqueletos também ajudam pessoas a permanecer em pé ou realizar movimentos antes impossíveis.

Nem toda paralisia é revertida.

Nem toda pessoa voltará a caminhar.

Mas há pessoas recuperando movimentos, conquistando autonomia e encontrando novas maneiras de habitar o próprio corpo.

Hoje, muitas histórias de infertilidade ganham novos caminhos

Sara esperou.

Ana chorou.

Isabel conheceu a longa experiência de desejar um filho.

Hoje, muitas pessoas que enfrentam infertilidade encontram possibilidades através de tratamentos hormonais, correções cirúrgicas, inseminação intrauterina, fertilização in vitro e, em algumas situações, doação de óvulos ou espermatozoides.

E, em muitas casas, aquilo que por anos foi oração silenciosa termina em choro de recém-nascido.

Hoje, produzimos alimento em uma escala antes inimaginável

Jesus multiplicou pães e peixes para alimentar uma multidão.

Hoje, conhecimento agrícola, melhoramento de cultivos, irrigação, tecnologias de produção, armazenamento e distribuição permitem produzir alimentos numa escala que seria inimaginável para sociedades antigas.

novos métodos, obras maiores

A lista é imensa e a cada dia vai ficar maior.

Sob a ordenança de Jesus, todo o universo se rende, e foi ele mesmo que ordenou:

“Creiam em mim: estou no Pai, e o Pai está em mim. Se não conseguem crer nisso, creiam no que veem — minhas obras. Quem confia em mim fará não apenas as coisas que faço, mas poderá até mesmo fazer coisas maiores, porque eu, em meu caminho para o Pai, dou a vocês o privilégio de fazer a mesma obra que tenho realizado. Podem contar com isso.”

É por isso que falar de ciência é falar de boas-novas.

Quando Jesus é O caminho, o que vemos é cura, libertação, multiplicação, renovo e esperança.

Que Deus ajude a nossa fé para crer com a ciência!

Que Deus ajude a nossa fé para ver a obra que Ele continua fazendo através de nós!