O café de milhões

Vida Crônica

No outro lado do mundo, na Finlândia, uma xícara de café que acompanhava um bolo de chocolate, despretensiosamente arrebatou o coração cafezudo do marido.

A esposa sensata logo sugeriu:

– Vamos procurar esse café para levar pra casa.

O marido, que carrega os freios econômicos dos desejos de viagem, respondeu:

– Não precisa. Vamos viver a experiência aqui e agora.

Seguimos viagem.

No dia seguinte, no café da manhã, uma exclamação e um ar de tristeza:

– Ah, mas não é igual aquele!

E assim, em todos os outros dias da viagem, eu o via, em vão, procurando aquele gole em todas as xícaras.

Nunca encontrava, mas revivia a memória das sensações, jurando que parecia ter mastigado o próprio grão do café naquela xícara finlandesa.

De volta à nossa casa, o assisti perder seu ar alegre cafezudo de manhã. Nunca mais um cheiro de café pela casa seria tão gostoso de novo. 

Decidi investigar o café de alma nórdica e descobri que os grãos cultivados para o prazer do Thor tinham, na verdade, DNA brasileiro: 50% de grãos mineiros, 25% de grãos da Nicarágua e 25% de grãos da Etiópia.

Para a minha alegria, a fábrica do barista finlandês entregava para o mundo tudo. Para a do marido, preferiu não saber o preço. 

Trinta dias e quase 60% de imposto de importação não previstos depois, estávamos na nossa cozinha, brindando a vida com goles do café de milhões e fazendo juras de nunca mais voltar da Europa sem um café brasileiro na mala.

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