A mulher que foi encontrada

O Pastor conhece o nome. A ovelha conhece a voz.
9 de setembro de 20253 min de leitura

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Maria tinha visto morrer o seu melhor amigo. 

Ainda estava escuro quando foi ao túmulo. Talvez não soubesse exatamente o que esperava encontrar ali, mas sabia que precisava ficar perto dele. 

Mas a pedra estava removida.

E o corpo não estava ali.

No buraco entre a tristeza do luto e o espanto diante de um túmulo vazio, cabiam pensamentos demais. 

Maria chorava.

Três dias haviam se passado desde a morte dele. 

Ela estava cansada porque o havia seguido até o fim, em todo o caminho do sofrimento, e viu toda a dor, toda a angústia, todo o sangue. 

Ela não se permitiu afastar dele, não conseguiria fazer isso depois de experimentar da água que jorrou dele, até o final. 

Ele havia falado sobre voltar. Mas será que ela tinha entendido direito? 

Era tanta coisa extraordinária no meio do ordinário. Tantas parábolas no meio da história real que ele estava construindo.

De repente, viu um homem que perguntou:

— Mulher, por que você está chorando? Quem você está procurando?

Ela pensou que fosse o jardineiro.

Talvez pudesse indicar onde haviam colocado o corpo.

E então, uma voz a chama pelo seu nome: 

— Maria!

Podia ser qualquer um. Maria era conhecida por muitos. Ao longo da vida, foi nomeada por quem achava que sabia tudo sobre sua história, e quem a nomeava não tinha nome.

Mas ela conhecia a entonação do seu próprio nome na voz que mais amava.

Era a mesma voz que a libertara, logo que se conheceram, dos sete demônios que a aprisionavam.

Desde então, aquela voz trazia alívio à sua alma cansada e sobrecarregada, incapaz de carregar sozinha todo o peso.

Como esquecer e viver sem isso agora?

Ela tinha encontrado uma paz e uma vida que nunca antes havia experimentado. Seria eternamente grata ao dono daquela voz. Andaria com ele sem medo a despeito do que pudesse acontecer a ela.

Então, no auge da sua tristeza, ela ouve o seu nome e o reconhece imediatamente.

Era um nome tão comum dito de uma forma tão pessoal e tão íntima.

Não foi para um grupo de pessoas. Não foi em uma sala onde ela estava sentada numa cadeira o assistindo falar da segunda fileira. Tampouco foi um recado dado por outro alguém.

Ele estava ali, diante dela, e dizia o seu nome.

Transbordando de alegria, ela respondeu:

— Mestre!

um pouco de contexto bíblico

Há uma imagem anterior no Evangelho de João que torna esse encontro ainda mais bonito.

Ao falar sobre o Bom Pastor, Jesus diz que ele

“chama pelo nome as suas próprias ovelhas”

e que elas o seguem porque conhecem a sua voz.

Alguns capítulos depois, no jardim, Maria se mostra a ovelha que reconhece a voz do seu pastor. Em meio à dor e à confusão, ela não reconhece Jesus pela aparência. É quando escuta seu próprio nome na voz dele que finalmente sabe quem está diante dela.

Na Bíblia, ser chamado pelo nome comunica mais do que identificação. É a linguagem de um Deus que não conhece pessoas apenas como parte de uma multidão, mas de maneira pessoal.

Depois de chamar Maria pelo nome, Jesus também lhe confia uma missão: ela deve ir aos discípulos e anunciar o que viu. O encontro que começa de maneira tão íntima não termina fechado entre os dois.

Quem é encontrado por Jesus também é enviado por Ele.

Talvez seja essa uma das maravilhas da história desse encontro: antes de Maria conseguir compreender tudo o que havia acontecido, Jesus mostrou que ainda a conhecia.

E a chamou como o Bom Pastor havia prometido:

pelo nome.