Era uma vez um astro que não tinha luz própria.
Ele passava seus dias admirando as estrelas espalhadas pelo universo.
Havia estrelas de diferentes cores, tamanhos e intensidades. Algumas brilhavam tanto que podiam ser vistas a distâncias inimagináveis.
E aquele pequeno astro olhava para todas elas e pensava:
— Como eu gostaria de brilhar assim.
Até que, um dia, criou coragem e foi falar com Deus.
— Deus, o Senhor poderia me transformar em uma estrela? Eu também queria ter luz.
Deus ouviu seu pedido e respondeu:
— Posso fazer isso. Você poderá se tornar uma grande estrela. Brilhará intensamente por bilhões de anos. Será forte, majestosa, e sua luz atravessará distâncias imensas. Da Terra, muitas pessoas apontarão telescópios para o céu para admirar você.
O pequeno astro quase não cabia em si de tanta alegria.
Já conseguia se imaginar brilhante, poderoso, extraordinário.
Mas Deus continuou:
— Ou você pode aceitar outra proposta. Você poderá continuar sem luz própria. Mas ficará perto da minha Luz. E, quando ela alcançar você, você poderá refleti-la na escuridão.
— Refletir a sua Luz?
— Sim. Você não será a fonte. Mas haverá noites em que, por meio de você, muitas pessoas conseguirão enxergar.
O pequeno astro olhou novamente para as estrelas.
Elas pareciam ainda mais brilhantes agora.
— E eu também vou brilhar?
— Vai. Mas não sempre do mesmo jeito.
— Como assim?
— Eu darei a você fases.
O astro franziu a testa.
— Haverá momentos em que quase toda a luz que você refletir poderá ser vista. Nesses dias, vão chamar você de Lua Cheia. Muitas pessoas vão parar apenas para olhar para você. Crianças procurarão você pela janela. Poetas escreverão sobre a sua beleza.
O pequeno astro sorriu.
Mas Deus acrescentou:
— E haverá momentos em que, da Terra, quase ninguém conseguirá ver a luz que você reflete. Vão chamar você de Lua Nova.
O astro se entristeceu um pouco.
— Então haverá dias em que eu não vou servir para nada?
E Deus respondeu:
— Não confunda o quanto conseguem ver de você com o quanto a minha Luz continua alcançando você.
Depois de algum tempo, Deus perguntou:
— O que você escolhe?
O pequeno astro olhou mais uma vez para todas aquelas estrelas brilhantes.
Elas continuavam lindas.
Mas agora ele sabia o que queria.
— Para onde eu iria, se é perto de Ti que a Luz me alcança?
Hoje, quando a nossa noite chega, ainda há luz na escuridão.


