Ser cristão significa perdoar o que é imperdoável, porque Deus perdoou o que é imperdoável em você.”
C.S. Lewis.
Assustadoramente encantador, o imponente lobo era o vilão favorito das fábulas mais lembradas pelas crianças.
Todo orgulhoso por acompanhar as infâncias e apresentar o medo aos pequeninos, ele sabia que seria uma presença marcante nos livros das fábulas quando as crianças chegassem nas páginas do meio da história.
Quando ele aparecia, o clímax era perfeito!
Com instinto de caçador, o lobo farejava e mirava na inocência dos personagens.
Ele acertava para além dos livros, naqueles que ainda acreditavam que a vida seria feita de brincadeiras e doces, e a parte chata era parar para tomar banho.
O lobo mau talvez nem soubesse por que era mal, mas sabia que ser sagaz era tão natural quanto o ronco na sua barriga.
Um belo dia, ele se viu diferente nas páginas do meio da história e foi atingido no clímax por um encontro que acertou até o seu estômago.
Eis que veio um cordeiro, sem nenhuma resistência ou medo, mas manso e humilde, disposto a se entregar.
Alguém precisaria satisfazer esse lobo para que ele deixasse em paz os pequeninos.
Foi aí que o lobo se viu e se percebeu um animal escravo do seu estômago, como aquele cordeiro nunca foi.
Ao invés de imponente, ele agora se via mísero e sujo.
Daquele encontro no meio do caminho, não conseguiu desviar do que aconteceu a si mesmo e, pela primeira vez, desejou ser livre, como era aquele cordeiro.
Era para ter sido só mais uma história de alguém com um encontro que cessaria momentaneamente a sua fome, mas, naquele templo indispensável de sua própria história, seu estômago parou de roncar para sempre.
O lobo mau, não precisaria mais saber porque era mal. Agora, ele seria o mais manso dos cordeiros em pele de lobo.