Ângulos

Um poema matemático sobre perspectiva, identidade e encontro
2 de setembro de 20251 min de leitura

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Eu queria ver os ângulos!

Você sabe, geometria não é fácil.

Tem hora em que o ângulo de 30 parece o de 45.

Mas pior é descobrir

que o ângulo raso é, na verdade, 

um ângulo reto já muito cansado,

que deitou para descansar.

Eu insisti para ver os ângulos.

Foi difícil, você também sabe.

Uma hora a vida obriga a gente

a parar de buscar conjuntos-solução para problemas reais

e problemas reais para soluções imaginárias

E foi aí que eu aprendi a ver os ângulos.

Vi que até a reta

guarda em si um ângulo raso estendido

e que a solução dos problemas

quase sempre nasce da tangente 

que escapa do último ângulo pensado.

Eu comecei a ver os ângulos.

Comecei pelos meus.

Percebi os tantos ângulos que tenho em mim.

Achei os senos, os cossenos e as tangentes.

Quando eu montei os meus arcos, 

eu enxerguei NÓS!