Como filha de minha mãe, eu não poderia receber visitas sem ter alguma coisa quente, feita por mim, já esperando à mesa para o café.
O café da tarde seria coisa rápida, prática, mas resisti à tentação de recorrer à padaria da esquina.
Do meu livro de receitas fáceis, escolhi o pão de queijo de tapioca na airfryer.
Nós e as visitas estávamos de dieta. Iriam adorar!
No mercado, peguei uma tapioca na mão. Meu marido, com a praticidade de sempre, disse:
– Temos tapioca em casa.
“leite quente sobre a tapioca e descanso por 40 min.”
A tapioca sumiu.
Achei que era normal.
Esperei 40 minutos. Mexi de novo.
Nada.
O livro garantia a formação de um bloco consistente para enrolar os pães. Na minha tigela, eu só via um líquido branco.
Foi então que percebi, estampado na embalagem da tapioca:
“Não acrescentar água”.
A minha tapioca já era hidratada.
O relógio corria e as visitas já estavam quase chegando. Sem tempo para lamentar, culpar meu marido, ou correr até a padaria, coloquei o tanto de farinha que aquela massa parecia implorar, acrescentei todo o queijo que encontrei, fiz bolinhas e levei para assar.
Quando as visitas chegaram, logo disseram:
— Que lindo pão de queijo!
— Na verdade, é um pão com queijo. Receita muito especial. Perfeito para derreter a manteiga no pão ainda quente.
– Que delícia!
Repetiram.
A manteiga e a quentura salvaram a mesa.
E bastou mencionar “receita especial” para aqueles pães, que não tinham saído em nada como planejado, subirem sorrateiramente ao patamar das receitas de família.


