Caminhos de graça

“A graça preenche os espaços vazios, mas só pode entrar onde há um vazio para recebê-la.” — Simone Weil (tradução livre)
23 de agosto de 20262 min de leitura

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Hora ou outra eu percebo um novo difícil em mim.
Uma cicatriz de uma ferida antiga,
uma dor refletida de outras dores,
e vou ficando
mais medrosa,
mais resistente,
menos resiliente.

Não sei se a idade piora, mas o que se engolia não se engole mais.
E a vida que fluía em cima de rodas curvas,
agora parece se mover por cima de rodas quadradas.

Cada passo esbarra num trauma que até então nem se conhecia,
e as cicatrizes hora ou outra coçam.

Nem tudo o que eu peço para perder vai embora.
Ficam a memória, os reflexos, os medos e uma nova resistência.
E eu já nem sei dizer o que já era meu e o que ficou em mim.

Mas mesmo que eu encontre em mim um novo difícil,
Ele me surpreende abrindo uma passagem criativa onde eu só enxergava a dor.

E me vejo de repente com
um novo favorito,
uma amizade mais profunda,
uma alegria que eu não esperava,
um amor mais compassivo.

E descubro um jeito novo de sentir Deus me abraçar.

Os problemas nem sempre vão embora pela manhã.
Mas a misericórdia amanhece nova.
E é por ela que, quando a velha estrada já não serve,
Deus ainda me apresenta
seus criativos caminhos de graça.