Arquivo de Com Ciência - Conto com Graça https://contocomgraca.com.br/category/com-ciencia/ Revelando Jesus pela linguagem da graça Sat, 22 Aug 2026 16:35:11 +0000 pt-BR hourly 1 https://wordpress.org/?v=7.1.3 https://contocomgraca.com.br/wp-content/uploads/2026/07/cropped-Logo-sem-fundo-e1785594342325-1-32x32.png Arquivo de Com Ciência - Conto com Graça https://contocomgraca.com.br/category/com-ciencia/ 32 32 Obras Maiores https://contocomgraca.com.br/obras-maiores/ https://contocomgraca.com.br/obras-maiores/#comments Sun, 28 Sep 2025 21:12:10 +0000 https://contocomgraca.com.br/?p=1686 Nem sempre os fins justificam os meios. Mas, muitas vezes, meios diferentes podem conduzir a um mesmo fim. Pense, por exemplo, em um dia muito quente. Você está se movimentando e seu corpo precisa manter a temperatura dentro de uma faixa adequada.  Para isso, vários caminhos são possíveis: você pode procurar um ambiente mais fresco, […]

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Nem sempre os fins justificam os meios. Mas, muitas vezes, meios diferentes podem conduzir a um mesmo fim.

Pense, por exemplo, em um dia muito quente. Você está se movimentando e seu corpo precisa manter a temperatura dentro de uma faixa adequada. 

Para isso, vários caminhos são possíveis: você pode procurar um ambiente mais fresco, diminuir a atividade física, beber algo gelado ou simplesmente suar mais e aumentar a perda de calor evaporação.

Esse é um exemplo do conceito chamado Equifinalidade, que influenciou ideias da biologia, psicologia e organizações de trabalho, e diz:

Caminhos diferentes.

Um mesmo objetivo: preservar o equilíbrio do organismo. 

Um pouco de ciência

Existe um conceito chamado equifinalidade, usado para pensar sistemas em que um mesmo estado final pode ser alcançado a partir de condições iniciais ou trajetórias diferentes. Em outras palavras: Diferentes caminhos podem conduzir a um mesmo resultado. Na biologia, isso aparece quando um organismo utiliza mecanismos diferentes para conservar seu equilíbrio. A ideia também influenciou áreas como psicologia, teoria de sistemas e estudos organizacionais.

o caminho não é o método

Jesus disse:

Eu sou o caminho, a verdade e a vida; ninguém vem ao Pai senão por mim.”

Repare, Jesus nunca disse que os métodos que ele utilizou eram o caminho.

Ele disse:

EU SOU.

Com facilidade, transformamos métodos em absolutos.

Nos apegamos à forma pela qual algo aconteceu e começamos a acreditar que Deus precisa repetir aquela mesma forma para continuar agindo.

Jesus tocou.
Jesus falou.
Jesus colocou lodo nos olhos de um homem.
Jesus ordenou que outro se levantasse.
Jesus multiplicou pães.

Mas os métodos nunca foram Jesus.

Jesus é O caminho.

Às vezes nos apegamos tanto aos métodos pelos quais Ele agiu que corremos o risco de confundir o método com o próprio Caminho.

E então classificamos ciência e fé como se fossem rotas concorrentes para compreender e cuidar da vida, quando talvez possamos fazer outra pergunta:

E se O Caminho continuar se manifestando por meios que nunca existiram há dois mil anos?

E SE AS OBRAS CONTINUAREM?

Quando leio os relatos de cura nos Evangelhos e olho para algumas possibilidades que existem hoje, fico imaginando quantos caminhos se abriram diante de nós.

Onde antes havia limites aparentemente intransponíveis, hoje existem caminhos que outras gerações sequer poderiam imaginar.

Hoje, muitos cegos veem

No Evangelho de João, Jesus encontra um homem cego de nascença e usa lodo antes de enviá-lo para se lavar no tanque de Siloé.

Hoje, uma pessoa com deficiência visual pode encontrar outros caminhos.

Transplantes de córnea, cirurgia de catarata, tratamentos específicos para doenças da retina, terapias genéticas em determinadas condições e tecnologias com óculos de realidade aumentada podem devolver visão, preservar aquilo que resta dela ou ampliar significativamente a autonomia.

Só no Brasil, foram 17 mil transplantes de córnea em 2024.

Não há lodo.

Não há tanque de Siloé.

Mas há mãos, conhecimento, pesquisa, microscópios, salas cirúrgicas e anos de estudo.

Hoje, muitos surdos ouvem

Em Marcos 7, Jesus toca um homem surdo e diz:

Efatá — abra-se.

Hoje, aparelhos auditivos digitais ampliam sons para milhões de pessoas.

Implantes cocleares podem permitir acesso ao som mesmo em situações nas quais estruturas importantes da audição não funcionam adequadamente.

Cirurgias e outras tecnologias também podem restaurar ou melhorar a audição em determinadas condições.

Talvez o Efatá chegue através de um dispositivo eletrônico colocado atrás da orelha.

Talvez através de um implante.

Talvez pelas mãos de um cirurgião.

Há muitos meios.
Mas ainda há ouvidos se abrindo para o mundo.

Hoje, muitas hemorragias são tratadas

Nos Evangelhos, uma mulher que sofria havia anos com uma hemorragia toca as vestes de Jesus na esperança de ser curada.

Hoje, muitas mulheres que convivem com sangramentos anormais encontram tratamento através de medicamentos, terapias hormonais, cirurgias para condições como miomas e endometriose, reposição de ferro e, quando necessário, transfusões.

Não é apenas uma mulher atravessando uma multidão.

São muitas.

Em consultórios.
Hospitais.
Centros cirúrgicos.

E o sangramento pode finalmente parar.

Hoje, a hanseníase tem cura

Lucas conta que dez homens com lepra clamaram pela misericórdia de Jesus.

Naquela sociedade, a doença não significava apenas sofrimento físico.

Significava também exclusão.

Hoje sabemos que a hanseníase tem tratamento curativo com uma combinação de medicamentos, e o diagnóstico precoce ajuda a prevenir incapacidades e a interromper a transmissão.

Cerca de 180.000 pessoas por ano serão diagnosticadas com hanseníase e cerca de 70% deverão encontrar a cura completa através de tratamentos com antibióticos e não serão mais excluídos porque os programas de saúde pública reduziram drasticamente casos e exclusão social. 

Hoje, algumas pessoas voltam a caminhar e outras encontram novas formas de mobilidade

O homem junto ao tanque de Betesda esperou por trinta e oito anos.

Quando Jesus o encontra, ordena:

“Levanta-te, toma o teu leito e anda.”

Hoje, diferentes tipos de lesões e doenças que comprometem os movimentos podem ser tratados por meio de cirurgias ortopédicas ou neurológicas, fisioterapia intensiva, reabilitação, neuroestimulação e tecnologias assistivas.

Em determinados casos, equipamentos robóticos e exoesqueletos também ajudam pessoas a permanecer em pé ou realizar movimentos antes impossíveis.

Nem toda paralisia é revertida.

Nem toda pessoa voltará a caminhar.

Mas há pessoas recuperando movimentos, conquistando autonomia e encontrando novas maneiras de habitar o próprio corpo.

Hoje, muitas histórias de infertilidade ganham novos caminhos

Sara esperou.

Ana chorou.

Isabel conheceu a longa experiência de desejar um filho.

Hoje, muitas pessoas que enfrentam infertilidade encontram possibilidades através de tratamentos hormonais, correções cirúrgicas, inseminação intrauterina, fertilização in vitro e, em algumas situações, doação de óvulos ou espermatozoides.

E, em muitas casas, aquilo que por anos foi oração silenciosa termina em choro de recém-nascido.

Hoje, produzimos alimento em uma escala antes inimaginável

Jesus multiplicou pães e peixes para alimentar uma multidão.

Hoje, conhecimento agrícola, melhoramento de cultivos, irrigação, tecnologias de produção, armazenamento e distribuição permitem produzir alimentos numa escala que seria inimaginável para sociedades antigas.

novos métodos, obras maiores

A lista é imensa e a cada dia vai ficar maior.

Sob a ordenança de Jesus, todo o universo se rende, e foi ele mesmo que ordenou:

“Creiam em mim: estou no Pai, e o Pai está em mim. Se não conseguem crer nisso, creiam no que veem — minhas obras. Quem confia em mim fará não apenas as coisas que faço, mas poderá até mesmo fazer coisas maiores, porque eu, em meu caminho para o Pai, dou a vocês o privilégio de fazer a mesma obra que tenho realizado. Podem contar com isso.”

É por isso que falar de ciência é falar de boas-novas.

Quando Jesus é O caminho, o que vemos é cura, libertação, multiplicação, renovo e esperança.

Que Deus ajude a nossa fé para crer com a ciência!

Que Deus ajude a nossa fé para ver a obra que Ele continua fazendo através de nós!

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A filosofia e a medicina baseada em evidências https://contocomgraca.com.br/a-filosofia-e-a-medicina-baseada-em-evidencias/ https://contocomgraca.com.br/a-filosofia-e-a-medicina-baseada-em-evidencias/#respond Thu, 11 Sep 2025 00:41:00 +0000 https://contocomgraca.com.br/?p=1121 “Era melhor como filósofo do que como médico”, diziam alguns críticos. Mas quem acha que a filosofia e a medicina seguem caminhos opostos, talvez não conheça muito bem nem uma, nem outra. “O médico deve ser um filósofo” Galeno AS IDEIAS QUE FORMARAM AVICENA A busca pelo conhecimento Avicena foi um jovem prodígio que combinou […]

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“Era melhor como filósofo do que como médico”, diziam alguns críticos.

Mas quem acha que a filosofia e a medicina seguem caminhos opostos, talvez não conheça muito bem nem uma, nem outra.

"O médico deve ser um filósofo"

AS IDEIAS QUE FORMARAM AVICENA

A busca pelo conhecimento

Avicena foi um jovem prodígio que combinou as influências do Alcorão, do direito islâmico e da sabedoria grega em seus ideais.

Do Alcorão, que decorou inteiro aos 10 anos, gravou:

“E não persigas o que não tens conhecimento; por certo, o ouvido, a visão e o coração — de todos eles se pedirá conta”

Ele entendeu que o conhecimento verdadeiro deveria ser perseguido e, para isso, o experimentalismo se tornou seu norte, porque a verdade não estaria na opinião das pessoas, mas na realidade observada das coisas.

O valor do consenso

Da tradição islâmica, ele também valorizou e incorporou a ideia de consenso (Ijma) em seus ideias. Ele acreditava que a verdade não deveria ser imposta por alguém, mas que chegar a um consenso é necessário para valorizar as diferenças de opinião e padronizar práticas.

A lógica como ferramenta

Das suas leituras e influência grega, ele herdou a lógica do princípio Aristotélico, onde deveria pensar a concretude das coisas no raciocínio bem elaborado e nunca perder os argumentos para meros formalismos ou abstrações.

Ele também teve influência dos estóicos e, deles, aprendeu a lógica das condicionais do “se…. então”, que abrem as possibilidades de fazermos proposições, para muito além de cálculos matemáticos. Hoje, a lógica das condicionais parece óbvia e comum para nós mas, naquele momento, essa lógica era mais restrita à matemática e não tão comum às ciências experimentais.

QUANDO AS IDEIAS ENTRAM NO CONSULTÓRIO

Avicena combinou a filosofia, suas crenças e ideais com a sua prática de médico, observando os seus pacientes e como os novos tratamentos que propunha poderiam funcionar. Com as suas observações, ele formulou sete regras para avaliar como os medicamentos podem agir para tratar uma doença. Essas regras foram descritas no seu Cânone da Medicina, que influenciaria tanto o oriente quanto o ocidente para a farmacologia moderna.

Sete regras para testar um medicamento

01

O medicamento deve ser puro, sem impurezas.

Hoje: boas práticas de fabricação e controle de qualidade.

Pureza

02

O medicamento deve ser testado em uma única doença, evitando casos com múltiplos problemas ao mesmo tempo.

Hoje: esse princípio ajuda a isolar o efeito observado e a atribuir o resultado com menos fatores de confusão.​

Uma variável de cada vez

03

O medicamento deve ser observado em condições diferentes, porque um mesmo efeito pode acontecer por razões distintas.

Hoje: comparar cenários ajuda a entender melhor como o tratamento age e a evitar conclusões apressadas.

Testar mais de uma possibilidade

04

A intensidade do medicamento deve ser adequada à intensidade da doença.

Hoje: dose e intensidade do tratamento precisam ser ajustadas ao quadro clínico, buscando eficácia sem perder de vista a segurança.

Respeitar a complexidade

05

É preciso acompanhar quanto tempo o medicamento leva para produzir efeito e por quanto tempo esse efeito se mantém.

Hoje: o tempo de início, duração e resposta ao tratamento ajuda a entender melhor sua eficácia e a definir como ele deve ser usado.

Observar o tempo

06

O efeito do medicamento precisa se repetir em diferentes casos; caso contrário, pode ter sido apenas um resultado acidental.

Hoje: usamos amostras maiores e análise estatística para avaliar se um efeito é consistente e confiável.

O resultado deve ser reprodutível

07

Os efeitos observados em animais ou outros modelos experimentais não podem ser automaticamente atribuídos ao organismo humano. 

Hoje: estudos em células e animais são etapas importantes da pesquisa, mas a eficácia e a segurança de um tratamento precisam ser confirmadas em estudos clínicos com pessoas.

Confirmar em seres humanos

Um legado que atravessou séculos

Essas regras foram o embrião da medicina baseada em evidências, que sustenta as pesquisas e ensaios clínicos de hoje. Embora outros cientistas e pensadores surgiram na mesma época com ideias próximas, a forma e clareza com que Avicena trouxe suas ideias fez com que elas pudessem exercer influência durante séculos, do mundo muçulmano à Europa cristã.

É por isso que se engana quem pensa que filosofia não tem aplicação prática.

Quando refletimos sobre o caminho dos nossos pensamentos, encontramos novas lógicas que transformam.

Fonte: Legacy of Avicenna and evidence-based medicine. Shoja, Mohammadali M. et al. International Journal of Cardiology, Volume 150, Issue 3, 243 – 246.

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Nanomedicina: um essencial invisível aos olhos https://contocomgraca.com.br/o-que-e-essa-tal-nanomedicina/ https://contocomgraca.com.br/o-que-e-essa-tal-nanomedicina/#respond Sun, 07 Sep 2025 01:25:00 +0000 https://contocomgraca.com.br/?p=1323 UM MUNDO INVISÍVEL O que passa pela sua cabeça quando ouve falar do mundo das nano coisas?  Nanotecnologia, Nanociência, Nanomedicina… Durante muito tempo, eu imaginava robozinhos quase com vontade própria, circulando por lugares microscópicos, deixando chips menores, materiais melhores e tudo mais eficiente.  Parecia um universo paralelo que existia apenas nos artigos científicos. Até que esse […]

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UM MUNDO INVISÍVEL

O que passa pela sua cabeça quando ouve falar do mundo das nano coisas? 

Nanotecnologia, Nanociência, Nanomedicina…

Durante muito tempo, eu imaginava robozinhos quase com vontade própria, circulando por lugares microscópicos, deixando chips menores, materiais melhores e tudo mais eficiente. 

Parecia um universo paralelo que existia apenas nos artigos científicos.

Até que esse mundo invisível atravessou a minha vida quando comecei a pesquisar novos sistemas para o tratamento do câncer. 

Depois de anos estudando esse universo, ainda fico maravilhada com uma ideia bastante simples: 

mudar o tamanho de alguma coisa pode mudar a maneira como ela se comporta.

E, quando entramos na escala nano, coisas realmente interessantes começam a acontecer.

Vou levar você comigo para dentro desse mundo que parece complicado, mas prometo: ele é bem mais simpático do que o nome faz parecer.

Primeiro: quanto mede uma coisa que não conseguimos ver?

Um nanômetro, representado por nm, corresponde a um bilionésimo de metro.

Para imaginar a escala:

  • uma pequena molécula pode ter dimensões na ordem de 1 nm;
  • muitos sistemas desenvolvidos para carregar medicamentos medem dezenas a algumas centenas de nanômetros;
  • uma célula humana com 10 micrômetros de diâmetro, por exemplo, mede cerca de 10.000 nm.

Ou seja:

moléculas < nanopartículas < células.

Nanomateriais são pequenos demais para serem observados adequadamente em microscópios ópticos comuns e precisam de técnicas específicas de caracterização. Embora a faixa de aproximadamente 1 a 100 nm seja a referência clássica da nanoescala, na área farmacêutica a FDA também considera materiais maiores — até cerca de 1.000 nm — quando seu tamanho é responsável por propriedades importantes do produto.

E não pense que todas essas partículas são bolinhas perfeitas.

Dependendo do material e da maneira como são produzidas, podemos criar estruturas esféricas, alongadas e até com geometrias surpreendentemente complexas.

É quase arquitetura — só que numa escala pequena demais para os nossos olhos.

Um envelope muito pequeno para uma missão muito grande

Uma das formas mais fáceis de entender a nanomedicina é imaginar uma nanopartícula como um envelope.

Dentro dela podemos colocar um medicamento.

O remédio é a mensagem.

A nanopartícula é o envelope que tenta proteger o conteúdo durante a viagem.

E a superfície desse envelope também pode ser modificada para alterar a maneira como ele interage com o organismo.

Em alguns sistemas, acrescentamos moléculas capazes de prolongar a circulação. Em outros, pesquisamos moléculas que reconheçam determinadas características das células ou tecidos que queremos atingir.

É por isso que também gosto da imagem do cavalo de Troia.

A molécula de medicamento, sozinha, encontra obstáculos pelo caminho. Quando colocada dentro de um sistema nanoestruturado, pode ganhar propriedades diferentes para realizar a viagem.

Mas que viagem é essa?

Para um medicamento chegar até uma célula doente, há muito mais caminho entre a seringa e o alvo do que imaginamos.

Vamos acompanhá-lo.

1. Antes de tudo, o remédio precisa conseguir viajar

Nosso organismo é composto em grande parte por água.

E nem toda molécula de medicamento gosta de água.

Alguns fármacos apresentam baixa solubilidade em meios aquosos, o que pode dificultar sua formulação e sua distribuição pelo organismo.

É o primeiro problema:

como transportar algo que não se mistura bem ao ambiente em que precisa viajar?

Como o nano pode ajudar

Dependendo do medicamento, ele pode ser encapsulado ou associado a uma nanopartícula.

Em vez de deixar a molécula viajar sozinha, construímos um sistema capaz de transportá-la.

Isso pode melhorar características como solubilidade, estabilidade e disponibilidade do fármaco, além de protegê-lo de determinadas formas de degradação.

Às vezes, o primeiro trabalho da nanopartícula não é encontrar o tumor. É simplesmente conseguir levar o remédio até lá.

2. Depois, precisa sobreviver ao caminho

Conseguir entrar na circulação ainda não significa chegar ao destino.

Quando uma nanopartícula encontra o sangue, proteínas se ligam rapidamente à sua superfície. Dependendo de suas características, ela também pode ser reconhecida e removida da circulação pelo organismo.

Aquilo que construímos cuidadosamente no laboratório entra, de repente, em um ambiente biológico extremamente complexo.

Como o nano pode ajudar

Podemos modificar a composição e a superfície das partículas para alterar a forma como elas interagem com proteínas, células e sistemas de defesa do organismo.

Uma estratégia bastante conhecida é o uso de polímeros como o PEG em determinados sistemas, o que pode prolongar o tempo de circulação.

Mas é importante desfazer uma imagem comum:

a nanopartícula não coloca uma capa de invisibilidade e engana completamente o sistema imunológico.

O organismo continua interagindo com ela.

Entender essas interações — ligação a proteínas, distribuição pelos diferentes órgãos, estabilidade e resposta imunológica — é justamente uma das partes mais importantes e desafiadoras do desenvolvimento de nanomedicamentos.

3. Em alguns lugares, existe uma porta muito bem vigiada

Mesmo sobrevivendo à circulação, o medicamento pode encontrar barreiras naturais.

O cérebro tem uma das mais famosas: a barreira hematoencefálica.

Imagine a entrada de um clube extremamente seletivo.

Não basta simplesmente ser pequeno.

Existem características químicas e sistemas específicos de transporte que determinam quais substâncias conseguem passar do sangue para o cérebro.

Muitos medicamentos que seriam interessantes para tratar doenças do sistema nervoso simplesmente não atravessam essa barreira em quantidade suficiente.

Como o nano pode ajudar

Uma das estratégias pesquisadas é modificar a superfície das nanopartículas com moléculas capazes de interagir com mecanismos naturais de transporte ou receptores presentes nessa barreira.

Voltando ao nosso clube:

não estamos tentando arrombar a porta. Estamos tentando entender como funcionam as entradas autorizadas.

É uma área de pesquisa extremamente interessante, mas muitas dessas estratégias ainda estão sendo estudadas e não devem ser confundidas com tecnologias já disponíveis rotineiramente para pacientes.

4. Finalmente chegamos perto do tumor. Mas como encontrá-lo?

Aqui começa uma das partes mais fascinantes — e também mais complexas — da nanomedicina contra o câncer.

Os vasos sanguíneos que crescem em muitos tumores podem apresentar uma organização diferente daquela encontrada em tecidos saudáveis. Essa característica, associada a uma drenagem linfática deficiente em determinados tumores, pode favorecer o acúmulo de macromoléculas e nanopartículas.

Esse fenômeno ficou conhecido como efeito EPR, sigla em inglês para Enhanced Permeability and Retention — aumento de permeabilidade e retenção.

Durante muito tempo, ele foi uma das grandes explicações para a capacidade das nanopartículas de se acumularem preferencialmente em tumores.

A ideia é muito bonita:

se alguns vasos do tumor possuem uma arquitetura mais permeável, certas partículas conseguem sair da circulação e permanecer naquele tecido com maior facilidade.

Mas a ciência foi amadurecendo.

Hoje sabemos que o EPR não acontece da mesma maneira em todos os tumores, nem em todos os pacientes. A vascularização tumoral é extremamente heterogênea, e os mecanismos pelos quais nanossistemas chegam aos tumores são mais complexos do que uma simples passagem por “frestas”.

5. Chegar ao tumor ainda não significa entrar na célula certa

Imagine que nossa nanopartícula conseguiu atravessar todos esses obstáculos e finalmente chegou ao tecido tumoral.

Ainda falta uma etapa.

Encontrar a célula que queremos atingir.

Células tumorais surgem das nossas próprias células e, por isso, não são completamente diferentes das células saudáveis.

O desafio é encontrar pequenas características que possam ser exploradas.

Alguns tumores, por exemplo, apresentam uma quantidade aumentada de determinados receptores na superfície celular.

E aí podemos tentar transformar essa diferença em um endereço.

Como o nano pode ajudar

Podemos colocar na superfície da nanopartícula uma molécula capaz de reconhecer determinado receptor.

É a ideia de chave e fechadura:

a molécula na nanopartícula funciona como uma chave com afinidade por uma fechadura que aparece em maior quantidade na célula que queremos atingir.

O ácido fólico, por exemplo, tem sido estudado como molécula de direcionamento em tumores que apresentam maior expressão de receptores de folato. Há estudos experimentais utilizando essa estratégia inclusive em modelos de câncer de mama, mas isso não significa que todas as células de câncer de mama apresentem esse alvo ou que todo sistema desse tipo já esteja disponível clinicamente.

Esse tipo de estratégia é chamado de direcionamento ativo.

O nome pode dar a impressão de que a partícula sabe para onde ir.

Ela não sabe.

Nós tentamos colocar nela pistas químicas que aumentem a probabilidade de certas interações acontecerem.

Entrada da nanopartícula na célula

Uma partícula, mais de uma função

Agora que chegamos até aqui, podemos complicar o nosso envelope um pouquinho.

Uma nanopartícula pode ser projetada para carregar mais de um composto.

Pode também combinar diferentes funções em uma única plataforma.

Podemos imaginar sistemas que transportem medicamentos e, ao mesmo tempo, carreguem componentes que permitam acompanhar sua localização por técnicas de imagem.

Quando diagnóstico e terapia são reunidos em uma mesma estratégia, usamos o termo teranóstico — uma combinação de terapia e diagnóstico.

E existem ainda sistemas estudados para liberar o medicamento em resposta a determinadas condições, como alterações de pH, enzimas ou estímulos externos.

É nesse ponto que aquela ideia de “robozinho” que eu tinha no começo quase parece voltar.

Quase.

Porque não há uma pequena máquina tomando decisões dentro do corpo.

Há química, física, biologia e engenharia trabalhando juntas para construir matéria capaz de responder ao ambiente.

E, para mim, isso é ainda mais impressionante.

Mas se tudo isso é possível, por que não tratamos todo câncer assim?

Essa talvez seja a pergunta mais importante deste texto.

Porque existe uma distância enorme entre algo funcionar em uma placa de laboratório e funcionar de maneira segura, reprodutível e eficaz em seres humanos.

Uma nanopartícula precisa ser produzida sempre com características muito bem controladas.

Tamanho importa.

Forma importa.

Composição importa.

Carga superficial importa.

A maneira como o medicamento está associado à partícula importa.

Sua estabilidade durante o armazenamento importa.

E, depois de tudo isso, ainda existe o elemento mais complexo da história:

o corpo humano.

A FDA destaca justamente propriedades como tamanho e distribuição de tamanho, morfologia, composição, estabilidade, características de superfície, biodistribuição e interação biológica entre os pontos importantes na avaliação desses produtos.

Dois tumores com o mesmo nome podem ter características diferentes.

Dois pacientes podem responder de maneiras diferentes.

Uma estratégia lindíssima no laboratório pode encontrar, no organismo, uma barreira que não estava no desenho.

Na nanomedicina, fazer pequeno não significa fazer simples.

O invisível já chegou

Em 1995, a FDA aprovou o Doxil, uma formulação de doxorrubicina encapsulada em lipossomas e considerada um marco da nanomedicina farmacêutica. Desde então, diferentes sistemas nanoestruturados chegaram à prática clínica, enquanto muitas das estratégias mais sofisticadas continuam sendo desenvolvidas e testadas.

Se eu pudesse dar uma idade à nanomedicina em oncologia, talvez dissesse que ela ainda está na adolescência.

Já mostrou do que é capaz.

Mas ainda está descobrindo quem pode se tornar.

Precisa amadurecer em fabricação, custo, padronização, direcionamento e, principalmente, na compreensão do que acontece quando uma partícula cuidadosamente desenhada encontra a complexidade de um organismo vivo.

Talvez o futuro não seja feito daqueles robozinhos que eu imaginava.

É mais interessante do que isso.

São estruturas pequenas demais para os nossos olhos tentando responder a uma das grandes perguntas do tratamento do câncer:

como fazer o medicamento chegar mais onde é necessário e menos onde não é?

Durante muito tempo, esse mundo pareceu invisível para mim porque eu simplesmente não conseguia enxergá-lo.

Hoje sei que invisível não significa inexistente.

E muito menos insignificante.

O invisível já começou a fazer parte da medicina.

E talvez ainda estejamos descobrindo o quanto ele pode se tornar essencial.

Fonte:

1) ALVES, Samara Rodrigues. Nanoencapsulamento de metalofármacos antitumorais de dirutênio(II,III) contendo ibuprofeno e naproxeno. Estudo de um novo metalofármaco misto de &#181;-oxo-rutênio(III)-ibuprofeno-4-aminopiridina [doi:10.11606/T.46.2019.tde-04032020-122541]. São Paulo : Instituto de Química, University of São Paulo, 2019. Doctoral Thesis in Química.

2) Nanomedicine in Cancer Clinics: Are We There Yet? P. P. Nayak, Nijil S, A. Narayanan, A. K. Badekila, S. Kini. Current Pathobiology Reports (2021), 9, 43–55.

3) Emerging Nanopharmaceuticals and Nanonutraceuticals in Cancer Management. L. Salama, E. R. Pastor, T. Stone, S. A. Mousa. Biomedicines (2020), 8, 347.

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Um acidente no campo de batalha e o estudo de uma nova terapia https://contocomgraca.com.br/um-acidente-no-campo-de-batalha-e-o-primeiro-estudo-clinico/ https://contocomgraca.com.br/um-acidente-no-campo-de-batalha-e-o-primeiro-estudo-clinico/#respond Fri, 05 Sep 2025 01:46:32 +0000 https://contocomgraca.com.br/?p=1241 Um dos primeiros experimentos comparativos de um novo tratamento aconteceu por acidente. Essa história se passou em 1537, onde o médico cirurgião francês Ambroise Paré cuidava de soldados feridos em batalha.  Os feridos eram muitos, a disposição do médico para cuidar era enorme, mas o seu óleo medicinal era pouco. Naquele tempo, acreditava-se que os ferimentos causados por […]

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Um dos primeiros experimentos comparativos de um novo tratamento aconteceu por acidente.

Essa história se passou em 1537, onde o médico cirurgião francês Ambroise Paré cuidava de soldados feridos em batalha. 

Os feridos eram muitos, a disposição do médico para cuidar era enorme, mas o seu óleo medicinal era pouco.

Naquele tempo, acreditava-se que os ferimentos causados por armas de fogo eram venenosos por causa da pólvora e, por isso, deveriam ser cauterizados com óleo quase fervente e impedir uma infecção. 

Mas não havia óleo para tratar tantos soldados.

Ambroise Paré precisava fazer alguma coisa por aqueles que ficariam sem o tratamento convencional. 

Então, recorreu a uma mistura de gema de ovos, óleo de rosas, e um resíduo de árvore, a terebintina, apenas para não deixar aqueles soldados com a sensação de que não estavam sendo cuidados, e aplicou nas feridas de boa parte dos soldados.

Ele descreve:

“Por fim, meu óleo acabou e fui obrigado a aplicar, em seu lugar, um digestivo feito de gemas de ovos, óleo de rosas e terebintina. Naquela noite não consegui dormir tranquilo, temendo que, por falta da cauterização, eu encontrasse mortos, envenenados, os feridos sobre os quais não havia usado o dito óleo."

A noite do médico foi terrível imaginando que os soldados que receberam a poção improvisada estariam sentindo uma dor insuportável.

Mas, ao amanhecer, veio a surpresa:

Os saldados que receberam a mistura estavam quase sem dores, conseguiram dormir, e em suas feridas já não havia tanto inchaço e inflamação. 

Já os que receberam o óleo convencional, estavam com muitas dores, inchados e não dormiram. 

Diante do que viu, Paré decidiu:

"Então, determinei nunca mais queimar tão cruelmente os pobres feridos por arcabuzes.”

Hoje sabemos que o óleo fervente destrói tecidos e piora as lesões, enquanto a nova poção manteve a ferida úmida, aliviou a dor e trouxe uma barreira antimicrobiana natural, já que combinou substâncias contendo proteínas, anti-inflamatórios naturais, antissépticos e cicatrizantes.

Quanto do resultado veio da mistura utilizada e quanto veio simplesmente de deixar de queimar as feridas?

O relato de Paré não permite responder.

Ele não tinha um ensaio clínico desenhado, grupos randomizados ou um protocolo de pesquisa.

Ele observou.

Comparou.

E, diante do resultado, mudou a própria prática.

Mais de duzentos anos depois, em 1747, James Lind faria uma comparação planejada entre diferentes tratamentos para o escorbuto — episódio que se tornaria um dos grandes marcos da história dos ensaios clínicos.

Ambroise Paré também deixou associada ao seu trabalho uma frase que atravessou os séculos:

"Eu o tratei, Deus o curou."

E quem poderá dizer que aquela “descoberta acidental” no campo de batalha foi mesmo apenas um acidente no universo?

Um coração disposto a cuidar, uma mente atenta ao que via e uma fé disposta fizeram com que o acaso não passasse despercebido.

E, no meio de uma guerra, uma falta de óleo abriu espaço para uma nova forma de cuidar e para mais uma página da história da pesquisa clínica.

Fonte:

Bhatt A. Evolution of clinical research: a history before and beyond james lind. Perspect Clin Res. 2010 Jan;1(1):6-10.  https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3149409/pdf/PCR-1-6.pdf

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Ângulos https://contocomgraca.com.br/angulos/ https://contocomgraca.com.br/angulos/#respond Wed, 03 Sep 2025 02:06:51 +0000 https://contocomgraca.com.br/?p=1290 Eu queria ver os ângulos! Você sabe, geometria não é fácil. Tem hora em que o ângulo de 30 parece o de 45. Mas pior é descobrir que o ângulo raso é, na verdade,  um ângulo reto já muito cansado, que deitou para descansar. Eu insisti para ver os ângulos. Foi difícil, você também sabe. […]

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Eu queria ver os ângulos!

Você sabe, geometria não é fácil.

Tem hora em que o ângulo de 30 parece o de 45.

Mas pior é descobrir

que o ângulo raso é, na verdade, 

um ângulo reto já muito cansado,

que deitou para descansar.

Eu insisti para ver os ângulos.

Foi difícil, você também sabe.

Uma hora a vida obriga a gente

a parar de buscar conjuntos-solução para problemas reais

e problemas reais para soluções imaginárias

E foi aí que eu aprendi a ver os ângulos.

Vi que até a reta

guarda em si um ângulo raso estendido

e que a solução dos problemas

quase sempre nasce da tangente 

que escapa do último ângulo pensado.

Eu comecei a ver os ângulos.

Comecei pelos meus.

Percebi os tantos ângulos que tenho em mim.

Achei os senos, os cossenos e as tangentes.

Quando eu montei os meus arcos, 

eu enxerguei NÓS!

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O primeiro estudo clínico: um experimento no palácio da Babilônia https://contocomgraca.com.br/o-experimento-de-nabucodonozor/ https://contocomgraca.com.br/o-experimento-de-nabucodonozor/#comments Sun, 31 Aug 2025 01:00:00 +0000 https://contocomgraca.com.br/?p=1042 “Os jovens escolhidos para servir no palácio devem comer da comida do rei e beber do seu vinho para se apresentarem em perfeita forma!” Essa foi a determinação de Nabucodonosor, rei da Babilônia, há cerca de 2.600 anos. Mas alguns jovens judeus, levados cativos para a Babilônia, não queriam se alimentar das iguarias e do […]

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“Os jovens escolhidos para servir no palácio devem comer da comida do rei e beber do seu vinho para se apresentarem em perfeita forma!”

Essa foi a determinação de Nabucodonosor, rei da Babilônia, há cerca de 2.600 anos.

Mas alguns jovens judeus, levados cativos para a Babilônia, não queriam se alimentar das iguarias e do vinho da mesa real.

Entre eles estava Daniel.

Muito ousado, ele fez uma proposta ao encarregado responsável por sua alimentação:

“Experimenta, peço-te, os teus servos dez dias; e que se nos deem legumes a comer e água a beber. Então, se examine diante de ti a nossa aparência e a aparência dos jovens que comem das iguarias do rei [...].”

O encarregado do rei ficou com muito medo de ser punido porque Nabucodonosor era um engenhoso líder militar, de curiosidade aguçada, um pouco maluco e outras peculiaridades.

Mas, foi convencido por Daniel e decidiu testar a ideia. Foi, então, que ele ordenou o primeiro ensaio clínico da história.

“Ele atendeu à proposta e os experimentou dez dias.”

O RESULTADO?

Os jovens que haviam comido vegetais e bebido água aparentavam estar mais saudáveis e mais bem nutridos do que os jovens que recebiam a comida do rei.

“Ao fim dos dez dias, a aparência deles era melhor; estavam mais robustos do que todos os jovens que comiam das iguarias do rei.”

Convencido pelo que viu, o encarregado permitiu que eles continuassem com aquela alimentação.

Mesmo que esse teste esteja muito longe do rigor do que chamamos hoje de estudo clínico, ele é frequentemente citado como um dos primeiros experimentos documentados da história que se assemelham a um estudo comparativo.

E está descrito na Bíblia, no livro de Daniel, capítulo 1.

Havia ali uma pergunta.

Dois tipos de alimentação.

Um tempo determinado: 10 dias.

E, no final, uma comparação dos resultados.

se a história de daniel fosse hoje, quais seriam as diferenças?

Para os padrões atuais, os problemas metodológicos começariam a aparecer rapidamente.

Hoje, os estudos precisam demonstrar que seus resultados são estatisticamente confiáveis. Para isso, o número de participantes é planejado por meio de cálculos matemáticos capazes de dar força suficiente às conclusões.

Também existem critérios de inclusão e exclusão, que determinam quem pode ou não participar de um estudo, ajudando a definir adequadamente a população estudada e a evitar que determinadas características interfiram nos resultados.

Além disso, em muitos estudos comparativos, os participantes são randomizados.

Isso significa que a escolha de quem estará em cada grupo é feita de forma aleatória.

No experimento de Daniel, por exemplo, ninguém sorteou se ele comeria vegetais ou as iguarias da mesa real.

Daniel provavelmente não aprovaria essa parte do protocolo.

Ele e seus três amigos já chegaram bastante decididos sobre o grupo ao qual gostariam de pertencer.

Outro ponto importante é o cegamento.

Em determinados estudos, os participantes não sabem qual tratamento estão recebendo. Em outros, nem eles nem os pesquisadores que avaliam os resultados sabem quem recebeu cada intervenção. São estratégias utilizadas para diminuir a influência das expectativas sobre aquilo que será observado.

No experimento relatado em Daniel, tudo era bem aberto.

Daniel sabia o que estava comendo.

Seus amigos sabiam.

O encarregado sabia.

Provavelmente todo mundo que passasse na hora da refeição também sabia.

E, para completar, o principal resultado avaliado foi a aparência física dos jovens.

Nada de exames laboratoriais, medidas objetivas ou análise estatística.

Era algo próximo de:

“Olhe para nós.

Depois olhe para eles.

E veja quem parece melhor.”

Do ponto de vista da pesquisa clínica moderna, havia muito espaço para viés.

Com todas as diferenças entre esse experimento e os estudos avançados que fazemos hoje, é incrível pensar que, em meio ao esplendor da Babilônia, uma discussão sobre a alimentação de quatro jovens tenha sido registrada no Antigo Testamento e atravessado milênios como um dos episódios lembrados quando contamos a longa história da pesquisa clínica.

Fonte: Bhatt A. Evolution of clinical research: a history before and beyond james lind. Perspect Clin Res. 2010 Jan;1(1):6-10.  https://www.ncbi.nlm.nih.gov/pmc/articles/PMC3149409/pdf/PCR-1-6.pdf

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Era uma vez… Atchin! Uma invasão no seu sistema imunológico. https://contocomgraca.com.br/era-uma-vez-atchin-uma-invasao-no-seu-sistema-imunologico/ https://contocomgraca.com.br/era-uma-vez-atchin-uma-invasao-no-seu-sistema-imunologico/#respond Thu, 28 Aug 2025 04:34:37 +0000 https://contocomgraca.com.br/?p=105 Era uma vez… um espirro. E vários outros depois desse! Você começou a se sentir estranho e… batata! O seu corpo está sendo atacado. Mas os vigilantes imunológicos do seu corpo estão a postos para te defender. (acompanhe os números na imagem) Entre os personagens, a DC (célula dendrítica) está na patrulha para identificar o […]

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Era uma vez… um espirro. E vários outros depois desse!

Você começou a se sentir estranho e… batata! O seu corpo está sendo atacado.

Mas os vigilantes imunológicos do seu corpo estão a postos para te defender.

(acompanhe os números na imagem)

Entre os personagens, a DC (célula dendrítica) está na patrulha para identificar o que de estranho entrou em você (1).

Sem demora, ela envia mensagens por meio de citocinas para outros importantes personagens, como o T (linfócito T auxiliar), que logo entra em ação para reconhecer o invasor que a DC investigou em um processo conhecido como apresentação de antígeno (2).

Pronto, o invasor já está identificado, e o sistema imunológico pode trabalhar em conjunto para te defender.

Nos linfonodos, todo mundo se reúne para a reunião de equipe e ali, entre outros personagens, temos o B (linfócito B), o M (macrófago) e o K (linfócito T “killer” citotóxico) (3).

A defesa que o nosso corpo realiza é coisa linda de ver!

O B é o linfócito que produz anticorpos, capazes de marcar e ajudar a neutralizar os invasores. Quando o M encontra um invasor marcado, ele logo o engole para destruí-lo. Já o K sai em busca das células infectadas pelo invasor para eliminá-las, sem dó (4).

Há mais personagens além desses, mas é assim, nesse movimento concertado, que o nosso corpo faz o melhor que pode para te ajudar a voltar a se sentir melhor.

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